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Diogo Marques dos Santos

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

À conversa com... Eliane Ubillús (Parte II)

Dando continuaçao ao post anterior, eis a segunda parte da entrevista com Eliane Ubillús. 


BdP -  Quando organizamos eventos, e por mais que eles sejam bem preparados, que o são, existem sempre algumas coisas que fogem do nosso controlo. Tem algum momento mais caricato que gostasse de partilhar com os nossos leitores?

EU - Vou transcrever dois trechos do meu livro “Cerimonial – Fatos Fotos e Sucesso no Município”[1] – Cultura Acadêmica Editora – 2009 – pag. 340

Perdeu-se um Embaixador !!! 

O professor Marcílio Reinaux, na ocasião Presidente do CNCP, solicitou-nos que a 14ª Reunião de Colegiado do CNCP fosse realizada em Campos do Jordão.
Depois da autorização do Prefeito João Paulo Ismael, iniciamos os preparativos.
Tudo foi previsto nos mínimos detalhes. Patrocinadores, hotel, traslados, presentes, flores e passeios foram detalhadamente vistos e revistos.

Toda a equipe do cerimonial estava preparada e recomendações não faltaram. Chegamos mesmo a fazer um novo treinamento no Aeroporto de Guarulhos para que tanto a assessoria do cerimonial como os motoristas desempenhassem o trabalho do receptivo com perfeição, afinal era “uma prova de fogo”, pois estaríamos recebendo “a nata do cerimonial brasileiro”.

A colaboração de todos foi dentro de muito entusiasmo e, afinal, chegou o grande dia!

Equipes de receptivo a postos nos Aeroportos de Guarulhos e de São José dos Campos. Seriam dois dias recebendo os participantes.

No primeiro dia tudo perfeito. Pessoal uniformizado e usando crachá; Planilha de chegada na mão auxiliando a conferir números de vôos, horários e nome de quem estava desembarcando. Telefonemas para a Prefeitura de Campos do Jordão nos informavam sobre o andamento do trabalho. Foi tudo fácil. Davam as boas vindas aos recém chegados que em seguida eram embarcados nos carros pré-estabelecidos. O pequeno atraso de um dos vôos foi administrado com tranqüilidade.

Em Campos do Jordão, nosso trabalho ia muito bem. Kits de presentes nos apartamentos, sala montada, enfim, tudo sob controle.
Ao chegarem, nossos colegas faziam os maiores elogios à equipe do cerimonial, o que nos orgulhava sobremaneira. A noite era de alegrias e expectativas de que, aquela, seria uma excelente reunião.

No dia seguinte, o receptivo teria apenas uma assistente, a Marcela, que na véspera havia sido muito elogiada por seu trabalho.

Lá se foram pela manhã, bem cedinho, a nossa Marcela e o motorista José Carlos. O aguardado era o Embaixador Augusto Estellita Lins, que chegaria de Brasília num vôo doméstico da Vasp.

Tudo confirmado, mas o Embaixador não desembarcou. Com certa apreensão, nossa assistente procurou o balcão de informações da Vasp onde recebeu a confirmação de que ele realmente estaria naquele vôo. Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, Marcela havia visto fotos do Embaixador e, sobretudo, estava com a plaquinha de receptivo. O tempo foi passando e ela já muito nervosa, nos avisou sobre o acontecido. Confiávamos nela e a deixamos resolver a questão sem interferências. Depois de muita insistência junto a Vasp, Marcela descobriu, imaginem!...a bagagem do Embaixador!

Aí foi desvendado o mistério: Na hora do embarque o Embaixador Estellita foi transferido para um vôo Internacional da Varig, mas sua bagagem veio pela Vasp. No aeroporto de Guarulhos, os vôos domésticos, de acordo com a companhia aérea, têm o desembarque no terminal 1 ou 2 mas os vôos internacionais igualmente têm dois desembarques. O da Varig era no 2, muito distante daquele que seria o doméstico da Vasp, já que o vôo chegava de Brasília...

O “esperado”, ao desembarcar, além de não encontrar sua mala, também não encontrou o nosso receptivo. Foi à Varig e lhe disseram que a bagagem deveria estar na Vasp. Foi à Vasp e não estava. Comentou com os funcionários da Vasp que ia pegar um táxi, porque não havia encontrado ninguém de Campos do Jordão, e que a Vasp mandasse sua bagagem para o destino final, pois era responsabilidade da empresa.

Minutos depois, Marcela chega a este departamento da Vasp tentando alguma resposta para o “sumiço” e lhe dizem que o Embaixador acabara de sair, e que sua mala, acabara de chegar. Ela, muito esperta, pediu que lhe entregassem a bagagem, o que foi aceito pela Vasp, porque as histórias tanto dele como dela se encaixavam perfeitamente.

O motorista e a Marcela “zarparam” para Campos do Jordão em meio à angústia e apreensão por não haver recebido o convidado, mas no meio do caminho têm a idéia de ligar para o Portal de Campos do Jordão e solicitar à guarda municipal que interceptasse o táxi do aeroporto (é fácil porque tem legenda no veículo) e pedisse ao Embaixador para aguardar, porque eles chegariam em seguida, inclusive, com sua bagagem.

O táxi foi interceptado, e a nossa assessora, exemplarmente, chegou ao Hotel Mont Blanc, onde estávamos reunidos, junto com o Embaixador Augusto Estellita Lins.

Mais tarde ela nos dizia que durante todo o tempo pensava... –“Se eu não chegar lá com esse embaixador, a minha chefe me mata”!

Durante o evento, ao comprar o livro do Embaixador, Marcela foi brindada com a seguinte dedicatória:

À colega e amiga cerimonialista Marcela Pereira da Cunha, com meus agradecimentos por sua gentileza e pela magnífica acolhida nesta linda cidade onde entrei triunfalmente após uma corrida emocionante onde não faltaram cenas de 007.

Com meu abraço mais afetuoso,

Augusto Estellita Lins

Campos do Jordão 4 / 2 /1996.

O fato desperta para o fato do quão importante é a comunicação. Nos dias de hoje, em que quase todos têm celulares, bastaria um telefonema do Embaixador antes de sair de Brasília ou mesmo ao desembarcar em São Paulo, para evitar o transtorno. Todos seriam poupados desta intranquilidade e o “aguardado” seria mais bem atendido.

Por outro lado, a história além de ilustrar este livro, serviu para que a amizade entre nós e o Embaixador, aumentasse ainda mais.


Pag. 77

Eu sou Ministra!!!

Teríamos a presença de uma Ministra de Estado numa reunião do CODIVAP. O programa contemplava duas palestras; a primeira seria a dela, seguida de perguntas dos prefeitos e a segunda do Secretário de Estado que também teria perguntas posteriores.

Na maioria das vezes, temos que adequar o programa aos horários de retorno das autoridades em função da decolagem dos aviões e helicópteros. Desta vez não foi diferente. A ministra teria que se ausentar no meio da reunião e por esta razão a colocamos como primeira palestrante, ainda que soubéssemos, sem nenhuma dúvida, que sua precedência é superior a de um Secretário de Estado.

Nossa surpresa foi grande ao sermos chamados por aquela autoridade que nos disse:

“Eu não vou falar antes de um secretário de estado. Eu sou ministra, portanto falo depois. Que cerimonial é esse?”

Tentando explicar a situação, lhe respondi que havíamos decidido aquela ordem não em função da precedência, (não se tratava de pronunciamentos e sim de palestra), mas sim para atender à solicitação de sua assessoria que havia comunicado que a ministra sairia no meio da reunião para atender à hora da decolagem do avião.

A resposta da ministra foi:

“Quem entende de cerimonial sabe que eu não falo antes de um secretário por isso anuncie o secretário.”

Imediatamente comunicamos ao Presidente do CODIVAP (que havia escutado nossa conversa), e ao secretário de estado, sobre a inversão no programa e indagamos se ele aceitaria falar em seguida. O secretário, muito gentil, respondeu: “Estou aqui para colaborar. Somos parceiros. Farei o que for necessário”.

Assim foi. Anunciamos o secretário de estado que em seguida começou a sua palestra. Sabíamos que atrasaria em muito a hora de saída da ministra, mas foi ela quem decidiu.

Com o passar do tempo, lembramos o Presidente sobre a necessidade de solicitarmos aos prefeitos que as perguntas fossem feitas após a saída da ministra, pois o tempo era escasso.

 Ele, por sua vez, logo depois da palestra do secretário pediu aos prefeitos a gentileza de que deixassem para fazer as perguntas posteriormente, em virtude do adiantado da hora, o que foi prontamente atendido.

A ministra passou a ser anunciada e em seguida à palestra respondeu sobre dúvidas e colocações dos prefeitos.

Durante este período, levamos ao conhecimento de sua assessoria o acontecido. A equipe, admiravelmente ética e gentil, ficou surpresa com a postura daquela autoridade.

Na verdade, a única chance de se respeitar a hora de saída da ministra era anunciá-la primeiro. Assim havia sido decidido e deveria ter acontecido para que tudo desse certo.

Acabou que, com a fala do secretário em primeiro lugar, a reunião ficou desorganizada porque após a saída da ministra é que voltamos ao primeiro assunto.

Certas pessoas, por vaidade ou desconhecimento da razão pela qual as coisas são decididas, fazem uma verdadeira revolução no que deveria ser passivo.
Nessa vida, tudo tem uma razão. O programa contemplava o pronunciamento da ministra, a comunicação bilateral junto aos prefeitos e as despedidas para, após sua ausência, acontecer a do secretário.

Por excesso de zelo quanto à sua precedência, ela acabou tendo que dividir o “brilho” com a outra autoridade. Apenas por desconhecer o “porque das coisas”.
Tudo havia sido planejado para que só ela brilhasse no momento em que estivesse junto a nós. Lamentavelmente isso não aconteceu e o pior é que deixou a quem estava na organização completamente insatisfeito com aquela imagem arrogante.

Na saída, mudou o “tom”, e ao se despedir nos disse: “Desculpe pela trapalhada que eu fiz com você”.

Diante disso não nos restava mais que dizer-lhe: “Não há problema ministra; Minha admiração pela senhora continua a mesma.”

Em mais de 25 anos de cerimonial jamais havia passado por um momento destes. De nossa parte, temos a certeza de estar executando, de maneira correta, a missão que nos foi confiada.  A precisão das ações nos auxilia a administrar os acontecimentos sem deixar transparecer quaisquer desagrados.
É nestes momentos que valorizamos ainda mais o trabalho em equipe. Todos estavam firmes e não se abalaram. Um apoiou o outro e juntos vencemos mais um desafio que foi o de administrar o problema com grande inteligência emocional. 

Nas adversidades também crescemos e neste dia a equipe foi perfeita.  Ao término da reunião percebemos que nosso profissionalismo foi absoluto.
A postura do Presidente da entidade também contribuiu para o êxito na administração do problema.

Quando temos credibilidade junto aos nossos chefes tudo se torna mais fácil. Para que essa credibilidade exista, temos que ser profissionais altamente qualificados e equilibrados. 


BdP -  O que é para si mais desafiante nesta área? (ex: organizar eventos com VIP, cortejos, coordenação, saber sobre várias culturas, entre outros)

EU - Cada evento é um evento. Cada um tem sua peculiaridade, sua organização e seu cerimonial. Todos são desafiantes principalmente quando realmente trabalhamos à frente deles e somos nós que organizamos, desenvolvemos e os realizamos. É fácil criticar quando apenas vivenciamos o cerimonial e protocolo ensinando ou prestando consultorias à distância. Quando temos nos “ombros”, ou melhor, no cérebro a total responsabilidade de um evento é que sabemos o que significa de verdade o que é desafiante em cerimonial e protocolo.

Organizar eventos com Vips acaba sendo mais fácil porque cada um conhece sua precedência e não quer ser mais que o outro. O mais difícil é organizar eventos com os que pensam que o são ou têm vontade de ser. Esses sim dão trabalho, pois a vaidade os toma de tal forma que perdem a noção em muitas das suas exigências.

Não existe diferença entre evento grande ou pequeno. Todos têm que ser tratados com o mesmo respeito e profissionalismo. Os mega-eventos apenas precisam de mais infra-estrutura, logística mais aguçada, recursos humanos em maior número e, consequentemente, maiores recursos financeiros.

Saber sobre várias culturas já faz parte do nosso dia a dia, mas nunca conheceremos todas. Cada vez que tenhamos uma nova visita a receber deveremos buscar os conhecimentos exatos sobre a cultura daquele visitante.
O mesmo acontece quando viajamos com nossos chefes a países cujos hábitos são menos próximos aos nossos. É dever do cerimonialista  conhecer não apenas os costumes do país mas também os de suas autoridades.

Os desafios são interessantes. Fazem-nos crescer a cada dia e isso aumenta nosso reconhecimento profissional.

O cerimonial é um elemento que aglutina quesitos indispensáveis à convivência, e assim sendo não pode deixar de estar presente em todos os lugares onde habite o ser humano. Muitas vezes pode parecer-se ao cacto: Tem espinhos, mas também produz belas flores e frutos deliciosos.


Saudações Protocolares, 

Diogo Marques dos Santos

terça-feira, 19 de abril de 2011

À conversa com... Eliane Ubillús (Parte I)



Este mês a minha convidada é a ceremonialista Eliane Ubillús (EU). Como habitual, a entrevistada irá responder a 05 perguntas, contudo desta vez a entrevista será publicada em duas partes. 

BdP - O que a motivou a dedicar a sua vida a esta área?

EU - Meus pais sempre exigiram muito os bons modos a comer corretamente usando todos os talheres e o respeito por tudo. Acho que esse foi um grande passo. Fora isso, minha mãe preparava as comemorações de Aniversário, Natal, Páscoa etc. de forma diferenciada das casas de outros colegas, pois sempre era com muita decoração muita comida especial e uma surpresa impreterivelmente fazia parte dos eventos. Fora isso, a louça, os cristais, os talheres, a prataria e as toalhas de mesa que eram peças de família tinham marcas das mais conceituadas.
Quando adolescente, comecei a ajudar nos casamentos das amigas, fui me dedicando e passei a pesquisar e a estudar tudo o que se relacionava com cerimonial e eventos. Esse foi meu começo.

Depois, mudei-me do Rio de Janeiro indo morar no interior de Minas Gerais. Ao ouvir um discurso de um prefeito (Presidente de Câmara em Portugal) que foi deplorável e participar de cerimônias que chegavam a ser grotescas decidi ajudá-lo e para tanto tive que buscar ensinamentos sobre cerimonial público.

Tempos depois, mudei novamente de cidade e o Prefeito de Campos do Jordão (SP) aonde vim morar me convidou para ser sua Chefe do Cerimonial. Após algumas dúvidas aceitei o cargo e passei a me dedicar plenamente ao cerimonial. Fiz curso com o Professor Nelson Speers (o Papa do cerimonial no Brasil) e logo depois entrei para o Comitê Nacional de Cerimonial e Protocolo, onde a convivência com os colegas me proporcionou grandes avanços técnicos.

BdP - Tive a oportunidade de ler o seu curriculum e vejo que tirou vários cursos ligado às artes, incluindo Piano, Ballet, Danças Clássicas, entre outros. Considera que este seu background a ajuda e a  inspira quando organiza eventos?

EU - Sempre comento que se apenas tivesse estudado  cerimonial, não teria esta base tão plenamente sólida no desenvolvimento do meu trabalho. Os estudos de piano me deram a musicalidade, o ritmo, o conhecimento de peças dos grandes autores, mas o Ballet me deu tudo: Na verdade o Ballet é completo. Dele pude aprender o ritmo correto para tudo na vida. O respeito pelos espaços... Quem passa quando (que no cerimonial chama-se de precedência), pois os primeiros bailarinos são primeiros bailarinos e ponto final. Os solistas e o corpo de baile têm outro espaço, ou seja, outra precedência e  tudo aquilo junto, dentro de um respeito absoluto, forma um grande espetáculo que chega a inebriar o público.

O Ballet também me ensinou coreografia, o que hoje me serve para criar os deslocamentos nos palcos, as entradas e saídas e utilizar a música de forma expressiva inclusive para "dizer" que irá começar o evento sem que nenhuma palavra seja usada para pedir silencio ou informar que irá começar o ato. Também para entrada do Mestre de cerimônias para as assinaturas de documentos, etc. A base da coreografia também auxilia no desenvolvimento da criação de atos e detalhes que muitas vezes embelezam ou levam surpresa às pessoas.
Num evento temos que surpreender sempre. Isso é que faz a diferença. Não é o dinheiro que construirá um belo evento e sim a criatividade, o respeito às pessoas, aos usos e costumes, à sustentabilidade ambiental e a outros tantos itens.
Isso tudo, inevitavelmente agregados à ética e a fartos conhecimentos técnicos é que nos levam ao sucesso em cerimonial e consequentemente à credibilidade profissional.

O desenvolvimento dos cenários também veio do Ballet e isso é uma das coisas  que mais prezo nos eventos, pois o fará belo e acima de tudo acolhedor. Conhecendo o tema do evento busco primeiro o cenário onde realizá-lo para depois criar a cerimônia em si.
Em geral os atos de cerimonial de governo são presos a alguns gabinetes o que os torna cansativos. Por mais simples que sejam os eventos serão valorizados se acontecerem num belo cenário, com a música adequada, decoração perfeita e os deslocamentos corretos.
Fora isso, conhecimentos sobre arranjos florais e um pouco de gastronomia (que no meu tempo chamava-se Alta culinária) me auxiliam a escolher cardápios discutir elementos que comporão um prato ou os volumes dentro de um ambiente.

BdP -  Como vê a evolução da área no Brasil?

EU - O cerimonial no Brasil cresceu muito desde a criação do Comitê Nacional do Cerimonial e Protocolo e depois do ano 2000, quando nos inserimos no contexto internacional, crescemos mais ainda. Nossos conhecimentos hoje são globalizados. Hoje muitos conhecem cerimonial internacional, o que antes era quase que restrito ao cerimonial da Presidência da República ou do Ministério de Relações Exteriores. Já temos curso de Pós graduação, e os cursos livres têm um bom nível técnico. Ainda nos faltam uma escola técnica e um curso de graduação, mas isso está sendo programado e creio que em breve irá acontecer.



Saudações Protocolares, 

Diogo Marques dos Santos

terça-feira, 15 de março de 2011

À conversa com... Pedro Rodrigues



Este mês o meu convidado é o Coordenador de Eventos da Desafio Global Ativism, Pedro Rodrigues (PR). Como habitual, o entrevistado irá responder a 05 perguntas, no caso:


BdP - O que o motivou a dedicar a sua vida a esta área?

PR - Um conjunto de situações mais ou menos inusitadas. Quando terminei o secundário toda a minha turma seguiu direito ou gestão. Eu, e um colega, ficámos perdidos sem saber o que queríamos fazer. Só sabíamos o que “não” queríamos fazer… direito ou gestão!

Nisto inscrevemo-nos ambos no Conservatório de Lisboa, na Escola Superior de Cinema, num curso de realização e produção se bem me recordo. Já passaram alguns anos…

Já estávamos inscritos quando ouvimos falar no IADE e no curso de Marketing e Publicidade. Suou-nos melhor. E assim mudámos de curso sempre tendo presente a máxima “qualquer coisa menos gestão ou direito”.

Entretanto, paralelamente ao curso, surgiu a oportunidade de ser assessor do director-geral do extinto FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis). Equivalerá hoje em dia ao Instituto da Juventude.   

Foi uma oportunidade fantástica porque, não voltou a acontecer, vivia-se uma conjuntura muito interessante.

A juventude tinha um ministro (Couto dos Santos) e um Ministério da Juventude. E, nos anos seguintes, foi o boom do cartão Jovem e de várias iniciativas para a juventude.

Tive o privilégio de começar a organizar eventos nesse âmbito.

Fiz vários eventos plenos do entusiasmo e energia que nos movem nessas idades. Numa época em que não existiam nem telemóveis nem emails. E as coisas aconteciam na mesma.

O primeiro evento que organizei, no âmbito do FAOJ, foram umas noites culturais para jovens no Mosteiro dos Jerónimos. Foi um sucesso absoluto e, para a posteridade, deixo uma curiosidade. Como o meu único percurso até à data, na área dos eventos, passava por ter sido presidente da Associação de Estudantes da minha escola e organizar festas nas discotecas da moda em Lisboa, nessa altura, quando precisei de “ajudantes” para tomar conta do público jovem, contratei os seguranças do Plateau e do saudoso Alcântara-Mar. Divirto-me hoje a recordar aqueles matulões, a maioria ex-boxeurs, e o famoso Miranda “Mata-Mulas” dos seus quase 2 metros de altura, a mandarem as crianças fazerem menos barulho.

BdP - A "Desafio Global Ativism" é uma referência a nível da Organização e da Gestão de Eventos, e a prova disso são os vários prémios com os quais já foi laureada, alguma vez pensou que a empresa que criou e gere viria a ter o sucesso e o reconhecimento que hoje podemos presenciar?

PR - Tínhamos pelo menos a ambição da desafio global ativism ser uma empresa de sucesso.

Mas é importante entender que vivíamos em outro contexto. Em 2001, quando começámos, nem se falava em eventos. Fazia-se reuniões de empresas com actividades de team-buidling. A EventoMania veio uns anos depois.

BdP - No "site" da Desafio Global imperam iniciativas; consegue eleger a que mais o estimulou ou a que considera ter sido a mais desafiante?  

PR - Por mais anos que passem acho que elegerei sempre a inauguração do Casino de Lisboa. É o único evento, em dez anos, em que decorei o dia: 19 de Abril. Foi inovador, e arriscado, em todos os aspectos que possamos imaginar.

Passado alguns anos, numa área que evolui tão depressa, se o realizássemos actualmente, copiando o que foi feito na altura, continuaria actual e muito impactante.

BdP - O que é para si necessário para se ser um bom Gestor de Eventos? 

PR - Tanta coisa… quer do ponto de vista técnico quer humano.

Primeiro que tudo um respeito pelos outros. Um destes dias vou escrever um artigo sobre o “Presidente de Junta que existe em cada Português”. Não consigo aturar pessoas mesquinhas e que usado do “pequeno poder” para exercer autoridade sobre os outros. Ainda menos se for no âmbito profissional e na área de eventos.

Por muito bons que sejamos, ou que achamos que somos, uma das nossas imagens de marca é o maior dos respeitos para com todos os fornecedores e “players” envolvidos num evento. Mas existe um reverso da medalha. Quem estiver num evento nosso tem que estar de corpo e alma. Não existe meio-termo.

Por vezes aparecem “personagens” e pseudo-gestores de eventos a quem tenho que perguntar se estão no evento para arranjar soluções ou para levantar problemas.

BdP - Tem algum conselho/dica que gostaria de dar aos jovens/pessoas que começam agora a dar os primeiros passos neste área?

PR - Criatividade, arrojo, know-how técnico mas também muita ética e muito respeito pelos outros.

Gosto de acreditar que, para singrar nesta área, tem que se fazer parte de uma “liga de cavalheiros extraordinários”. Com tudo o que a palavra cavalheiro implica.

O BdP gostaria de agradecer o seu precioso contributo e desejar-lhe as melhores felicidades e sucessos. 

Saudações Protocolares,

Diogo Marques dos Santos

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

À conversa com... Inês Pires Urquiza



Este mês a minha convidada é a Directora Executiva e Fundadora da International School of Protocol and Diplomacy Network, Inês Pires Urquiza (IPU). Como habitual, a entrevistada irá responder a 05 perguntas, no caso:






BdP - O que a motivou a dedicar a sua vida a esta área?

IPU - A minha visão de vida centra-se na construção de um melhor diálogo internacional e a aproximação das diferentes gentes e a minha missão pessoal é transformar conceitos em instrumentos de uso diário. O Protocolo, a Diplomacia e a comunicação internacional são na minha óptica as chaves desse diálogo e aproximação.  

BdP - Quais são para si os maiores desafios que os profissionais da área irão encontrar no século XXI?

IPU - A falta de aceitação de critérios e diferentes perspectivas. Pois aliás são ainda os grandes desafios do mundo em qualquer conflito numa escala global, ou em qualquer profissão numa escala mais pessoal. 

BdP - É Directora Executiva e Fundadora da International School of Protocol and Diplomacy e da BDB - Bringing Down Borders (Cross Cultural Intelligence Agency). Em que sentido acha que ambas as instituições poderão ajudar os profissionais que já estão no mercado de trabalho e/ou os jovens que nele irão ingressar?

IPU - Ambos projectos, e note-se que todas as instituições, empresas, associações são projectos em movimento e não estáticos, focam a sua atitude principal no desenvolvimento educativo das novas e desafiantes competências do futuro mercado de trabalho. Centram-se em colmatar carências dos actuais cursos de políticas e relações internacionais bem como na introdução de ferramentas que criam confiança e profissionalismo adaptado as necessidades reais dos dias de hoje. Sabendo que a ISPD é uma Instituição sem fins lucrativos desenvolve a sua missão à volta da educação e investigação e a BDB na consultoria e produção de resultados. Ambas com produtos "Premium" e exclusivos, reforçados pelos seus quadros e especialistas em cada área. 

BdP - Recordo-me da intervenção que fez nas IV JIP - Jornadas Internacionais de Protocolo, organizadas anualmente pela APEP (Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo), onde falou sobre um evento, complexo mas bastante interessante, que organizou em Hong Kong (Natal de Preston Bailey). O que mais a motiva quando organiza um evento?

IPU - O que motiva em qualquer projecto, evento ou acção são as pessoas. Sempre serão as pessoas. Porque um Evento não é uma ferramenta egoísta, de mérito ou fechada para nós...é humilde, como um presente para os outros.

BdP - Tive a oportunidade de ler a sua biografia e na mesma indica que viveu em 06 países e fez pesquisa em mais de 35. Em que sentido todas estas experiências foram importantes e traçaram o seu percurso profissional e a sua forma de estar na vida?

IPU - Desde a minha juventude que não queria ter uma profissão, não queria ter um emprego, não queria ter uma vida dividida entre o trabalho e casa, a casa e o trabalho. Não queria ter uma agenda de férias, e outra de viagem e outra de saídas com amigos. Quis sempre uma vida  desafiante na sua essência, uma vida interessante. Uma integração pessoal e profissional na paixão do dia a dia e na construção do mesmo.  Com isto quero dizer, que qualquer experiência pessoal é alimento da profissão e qualquer sucesso ou erro profissional é aprendizagem pessoal. Sou consciente da dificuldade desta forma de vida. Mas faz parte do meu entendimento e definição de ser pessoa. Qualquer detalhe, qualquer viagem, qualquer pessoa, qualquer língua, qualquer experiência é integrante do global e parte da minha filosofia de vida: Pessoal e Profissional. 


O BdP gostaria de agradecer o seu precioso contributo e desejar-lhe as melhores felicidades e sucessos. 

Saudações Protocolares,

Diogo Marques dos Santos

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

À conversa com... Susana de Salazar Casanova


Este mês contamos com a colaboração da Senhora Dra. Susana de Salazar Casanova (SSC); Professora, Formadora na área do Protocolo, da Gestão de Eventos, da Imagem e Relações Públicas e da Comunicação e Consultora de Eventos, para responder às 05 questões que fazem parte desta rubrica.


************ Entrevista ************





BdP - O que a motivou a dedicar a sua vida a esta área?

SSC - A motivação aconteceu com a formação académica avançada que frequentei quando procurei alargar as minhas competências profissionais, nunca pensando que a minha vida profissional fosse mudar radicalmente. Tomei contacto com a área do Protocolo, em Junho de 2003, ao frequentar a Pós-Graduação em Assessoria Empresarial (ISLA-Lisboa), através do módulo de Protocolo Empresarial, leccionado pela Senhora Dra. Isabel Amaral. Gostei muito da Docente, da sua forma de ensinar e, naturalmente, apaixonei-me pela matéria. Estes foram os pontos de partida.

A partir daí e, sempre muito motivada, frequentei continuamente formação superior e fiz investigação em paralelo. Primeiro, ao cursar a 1ª edição da Pós-Graduação em “Imagem Protocolo e Organização de Eventos” (ISLA-Lisboa), coordenada pela mesma Docente; no ano seguinte ao frequentar o “Experto Universitário en Protocolo y Ceremonial”, na Escola Internacional de Protocolo, em Madrid. O Experto Universitário foi muito importante no meu percurso académico, quer pela experiência de estudar em Espanha, ao longo de um ano lectivo, quer pelo amadurecimento dos conhecimentos. Foi um ano desafiante e altamente gratificante. Mais tarde fui realizando outras formações, de curta duração, primeiro em Barcelona e depois em Bruxelas respectivamente na “Europrotocol” e na “International School of Protocol”. Concluí este Verão, o “Master Internacional en Gestión y Organización de Eventos” ministrado no âmbito duma parceria entre a “Universidad Camilo José Cela” (Madrid) e a “Escuela Internacional de Protocolo de Madrid”.

A mudança de rumo profissional aconteceu quando a empresa em que trabalhava mudou de Administração e, consequentemente, eu tive de procurar um novo emprego. O gosto pelo ensino esteve sempre presente e a minha área de licenciatura é disso exemplo - Línguas e Literaturas Modernas. Encarei a área da formação (Protocolo, Imagem Profissional, Organização de Eventos e Secretariado) como uma oportunidade e investi. Quando não se tem emprego não se tem nada a perder. Embora o mercado português não seja muito grande, sou uma pessoa esforçada e muito lutadora, pelo que fui conseguindo avançar em pequenos passos.

BdP - Sendo professora universitária e formadora como analisa o crescente interesse e investimento, tanto no sector público como no privado, nesta área?

SSC - Como Docente e como Formadora vejo o crescente interesse por parte do público, como uma necessidade sentida pelos profissionais em alargarem competências e como um reconhecimento de que o saber nesta área é um elemento diferenciador entre colaboradores com iguais conhecimentos técnicos. Quando uma instituição está a contratar um colaborador todos os aspectos do seu comportamento estão sob avaliação, muito para além do seu “Curriculum Vitae”. Ainda para mais num momento tão complexo como aquele que se vive, com uma taxa altíssima de desemprego.

É muito natural que quer as instituições públicas, como um meio de promoverem a sua imagem, quer as empresas privadas, como uma forma de interagirem com os seus “shareholders” e “stakeholders” procurem, através da formação, dotar os seus colaboradores de todas as ferramentas que lhes permitam melhor transmitir os seus interesses, realizar negócios e contribuir para bons resultados. Acredito que o Protocolo é um instrumento de comunicação poderoso para qualquer profissional empenhado em ter uma carreira de sucesso.

A estes aspectos, acresce o facto de cada vez mais as empresas estarem voltadas para o mercado externo. Evidentemente que, também neste campo, vêem no Protocolo uma necessidade, um instrumento facilitador, um meio para melhor negociarem e se moverem num mundo globalizado. Em ambiente multicultural, uma falha pode condicionar uma parceria ou um negócio. Considere, por exemplo, que o número 4 para os Chineses é um número de azar o que significa que, ao receber um parceiro desta nacionalidade não poderá usar uma viatura que tenha o 4 na matrícula, reservar um quarto que inclua o número 4, organizar uma reunião ou um almoço com 4 pessoas, etc, etc..

Gosto imenso daquilo que faço e fico encantada quando consigo despertar em Alunos e Formandos o interesse pelo estudo na área do Protocolo.

BdP - Tenho acompanhado, com atenção e curiosidade, já há bastante tempo, o blogue que partilha com a Senhora Dra. Cristina Marques Fernandes, o que motivou a criação desse espaço de partilha de informação?

SSC - A criação do blogue protocolopt.blogspot.com foi uma ideia da Cristina Marques Fernandes e não minha. No entanto, imediatamente após a sua criação, o encarei como um desafio e como um meio para partilhar conhecimento junto do público. Aliás essa é a missão do blogue: “Cristina Marques Fernandes e Susana de Salazar Casanova, em parceria, criam este espaço para partilhar informação de Protocolo / Cerimonial / Imagem / Comunicação. O Protocolo é uma ferramenta da comunicação!”.

Antes da existência do blogue procurávamos inteirar-nos, na medida do possível, de temas da actualidade protocolar, mas mais numa perspectiva de investigação. O blogue e o incentivo que fomos recebendo dos nossos Formandos e dos Leitores ao longo dos seus quase quatro anos, deram-nos muita energia para fazer cada vez melhor, para estudar e partilhar cada vez mais informação. Vejo o conhecimento como algo que deve ser partilhado. O ser humano é um ser social e conhecimento sem partilha não faz total sentido.

Como empenhadas que somos em tudo o que fazemos, temos pelo blogue um grande carinho e continuaremos a manter esse espaço actualizado, activo e interessante para o público.

BdP - Desde que trabalha nesta área, qual foi a experiência que mais a marcou?

SSC - É difícil escolher porque tenho tido a oportunidade de viver muitas experiências marcantes.

A primeira acção de formação ministrada foi um marco muito importante, um enorme desafio. Um grande bem-haja à Senhora Dra. Maria da Graça Gomes, Presidente da ASP, pela oportunidade. O ano lectivo transacto, no ISLA-Lisboa, com mais de trezentos alunos foi impactante.
E, adicionalmente, a experiência no âmbito da Formação Profissional, em África, é inesquecível.

BdP - Recentemente, e também com a colaboração da Senhora Dra. Cristina Marques Fernandes, criou uma crónica, de seu nome Protocolo, que é semanalmente publicada no site da revista Sábado, qual tem sido ao feedback dos leitores?

SSC - A “Crónica de Protocolo” surgiu através de um convite directo formalizado por um dos editores da Revista “Sábado”, no final do ano passado. A direcção da “Sábado” procurava alargar a área temática das Crónicas incluindo, também, o Protocolo. Ao pesquisarem na internet descobriram-nos através do blogue e viram em nós uma oportunidade para realizarem os seus objectivos. Levámos algum tempo até ter tudo alinhado mas, desde 7 de Abril, estamos “on-line”, com uma nova Crónica, a cada Sábado.

Aceitámos este desafio e temos recebido dos Leitores muitos comentários, ideias para novas Crónicas e mensagens francamente positivas. Continuaremos a esforçar-nos por agradar a quem nos lê com interesse, com a força e o empenho que nos caracteriza.







************ Entrevista ************


Antes de terminar este post, gostaria de agradecer o seu precioso contributo e a sua disponibilidade.

Saudações Protocolares

Diogo Santos Rosa